sábado, 25 de maio de 2013

ERA UMA VEZ... uma casa de Lolô Cornelsen

De novo um complexo de sentimentos de indignação, perda, inconformidade e de absurdidade (sim, essa palavra existe) pelas coisas serem consideradas efêmeras, o valor implícito delas já não mais existe, não importa. 

Acabamos de chegar e tivemos que bater esta foto passando vagarosamente e com a típica impaciência dos outros em perder segundos nos seus pijamas de lata. 

Foi-se a casa, mais uma dentre tantas, projetada por Lolô Cornelsen. Da concepção avançada, da inspiração em constituir um átrio a partir da experiência da Guerra, tudo virou escombros e têm-se somente isto em palavras, não mais materializadas.





Para maiores detalhes e mais fotos espetaculares da casa conferir
o site "Circulando por Curitiba"(aqui) e também consultar o livro "Espirais de Madeira" de Irã Taborda Dudeque. No portal do próprio Lolô Cornelsen há plantas e referências artísticas à casa, como os mosaicos que lá uma vez estiveram (clique aqui).


Se não me engano, de acordo com o livro, era uma das primeiras experiências de Lolô, ainda amadurecendo seu "fazer arquitetônico". Deixaram a figueira, apenas. Talvez por acharem bonita para constrastar com a aridez do prédio que virá em seguida. Ou quem sabe a motosserra engasgou no dia.

A casa era assim (imagem retirada do google maps).



Ficava na Rua José de Alencar entre as ruas Fernando Amaro e Reinaldino S. de Quadros.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

ERA UMA VEZ... uma curitibana germânica 01

Não era muito frequente passarmos pela Iguaçu, mas, como uma velha conhecida, ela sempre estava por lá, distinta das demais. A grande área em que estava e  rodeada de velhos ciprestes trazia ainda mais o clima temperado de outras latitudes. 
Num dia inesperado, estava cercada e condenada e... foi-se. 


Essa casa sempre nos pareceu muito simpática. As proporções entre   os volumes muito harmoniosa, estes pequenos blocos de pedra espalhados  na fachada, o muro  com telhinhas e gradil diferenciado, além de toda história que deveria conter fazem sentir o ar nostálgico.

O mais interessante seria ter informações completas da casa como plantas, arquiteto, concepções, móveis que continha, genealogia da família, tudo isto dá contexto ao imóvel e foge-se de um discurso exclusivamente estético e catalográfico. Mas é um tipo de trabalho que envolve grande quantidade de tempo, preparação e antecipação e desejo dos envolvidos de que tudo isto fique documentado. Na provinciana Curitiba é muito improvável.

Numa época de construções pasteurizadas, homogenizadas, preferimos o ar nostálgico de construções com um passado mesmo que sem muita significação arquitetônica para os especialistas. Basicamente porque simplesmente elas nos comovem. 
   

quinta-feira, 16 de maio de 2013

ERA UMA VEZ... UMA CASA, PESSOAS, HISTÓRIAS... ENFIM, MEMÓRIAS

Em Curitiba, o ritmo alucinante da especulação imobiliária continua dizimando casas emblemáticas e as mais simples, inclusive. Sepultam junto com a identidade de um lugar, as histórias e memórias coletivas e individuais. 

Em nome do chamado progresso, camufla-se as intenções de lucro fácil, descaso com qualquer elemento do passado e desrespeito com  as pessoas que já se foram e com o que nos relegaram. Uma cultura não existe sem memória, e para preservá-la precisamos destes testemunhos. E nos extentores de sua agonia, as casas podem nos contar histórias, mesmo que seja seu lamentável último suspiro.

Este é o título dos registros que estamos documentando das casas  sendo demolidas quando conseguimos registrar. Porque é sempre uma surpresa, de repente, se foram, num piscar de olhos.


Essa foto é de uma casa de influência germânica na Av. Iguaçu, entre a Bento Viana e a Alferes Ângelo Sampaio. Mostra-a alguns dias antes de ser demolida totalmente, provavelmente para ser substituída por essas bizarrices prediais. Lá se vão jardins, árvores e aquilo que fundamentou um dia denominar Curitiba de "capital ecológica". Voltaremos a falar dessa casa por causa de suas características peculiares.
Sentimo-nos péssimos toda a vez que detectamos mais uma dessas demolições, e nem somos arquitetos e nem profissionais da área. Prova de que a sensibilidade pelas casas é transcultural. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Uma idosa carregando outra

Estava dirigindo e não resisti, bati a foto. Uma camionete restaurada carregando uma  bomba de gasolina também. Aprecio pessoas que zelam e gostam das "velharias". 


Parece que voltei no tempo ou de que estou em outro país, porque nem um dos dois é típico daqui. Mas, atualmente, o que é típico por aqui?

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sim, há uma diferença.


Este é o slogan de uma das logomarcas mais emblemáticas, pelo menos para nós. Completamente inusitada a presença das crianças numa das atitudes mais naturais. Atualmente, a maioria das logomarcas é cheia de simbolismos e abstracionismos que pouco comunicam, com poucas exceções. Não sabemos se o consórcio ainda mantém este logo, mas acreditamos que por manterem a placa, continua ativa. A placa situa-se na rua Conselheiro Carrão, quase esquina com a Schiller.

sábado, 11 de maio de 2013

Por Que Gato no Telhado???

Se pensou que o título deste blog era sobre gatos, pouco tem a ver com eles, especificamente. Mais tem a ver com a foto que ilustra o fundo da abertura. É uma foto que só conseguimos obter do google view. Basicamente porque quando fomos bater a foto do gato na cumeeira da casa simples, ele tinha sido substituído por um monótono telhado de eternit. 
Impressionante a velocidade em que está se perdendo as coisas em Curitiba. Temos uma lista enorme delas e corremos para ver se registramos os últimos momentos. 
Na casa deste gato, nos perdemos na referencia e achávamos que tínhamos perdido a casa e o detalhe. Mas depois de algum tempo, Maria teve a ideia de consultar novamente o google maps e voilá. Não a tínhamos perdido para sempre. 
É no detalhe e no efêmero que se revelam sutilezas inesperadas. O que encontrarmos vamos compartilhando sem sequer passar pelo crivo do acerto do especialista. São as percepções que elaboramos e nos despertaram o interesse. Muitas delas as últimas vezes que serão avistadas. E todas elas contam histórias, do proprietário, de acontecimentos e do esquecimento generalizado que vivemos atualmente. 

Sobre o detalhe em si, muitas casas apresentam essas sutilezas. E  isso nos tem maravilhado como pequenos presentes colocados ali por algum motivo. Alguem, algum dia se interessa e nota. E recebe o presente da grata surpresa. Simples, efêmera, mas permanente. Por mais que passe centenas de vezes, em todas elas sempre se surpreenderá uma vez percebida e a faísca da memória não se apagará. 



Perder este detalhe, perdeu o pequeno grande charme da casa. Assim como mudar o telhado para a monotonia do eternit. O gato estava na rua Coronel Dulcídio, entre a Sete de Setembro e a Silva Jardim.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Mas que VISTA ALEGRE!!

Nos livros consta que o nome do bairro Vista ALegre se deve ao sítio que deu nome ao local. A casa fica no ponto mais alto do bairro com vista para a cidade. Acho que foi essa a casa.

 
Esta é um Bela casa com um amplo quintal. Me lembra muito o estilo alemão com pequenos rebatimentos no telhado, quase que formando uma nova água, mas sem completá-la. Nota-se a varanda fechada na entrada, praticamente antecipando o que atualmente denominamos jardim de inverno. A capela no telhado, no térreo os avanços semi-hexagonais que ampliam o espaço interno e quebram a uniformidade da fachada externa. De brinde um pequeno terraço lateral. Formidável. 



Posicionada no alto, com as árvores carregadas da famosa "barba de bode" carregam o ar fantasmagórico ao local. De fato a também chamada "barba de velho" é uma bromélia, com flor e tudo, acreditem. Parece um cenário de filme de suspense ou de terror. É um deleite apreciar todo o conjunto.