sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

UM CANHÃO NO BARIGÜI



Um final de tarde com o sol batendo em tons avermelhados na chaminé do Barigüi. A antiga olaria foi transformada em academia e restaurante. A forma como a chaminé está posicionada nos lembra um canhão apontado para o céu.  O céu azulado contrasta com a cor alaranjada da luz  sobre o vermelho dos tijolos e sua textura arenosa. 




Ela é muito alta, mas além deste detalhe há outro que faz valorizar ainda mais a imponente estrutura. Toda ela é erguida apenas com tijolo maciço. Não há qualquer vigamento interno de concreto armado para ajudar na sustentação. 
No anos 80, quando ainda não havia a academia e era uma estrutura abandonada, alguns mais destemidos do grupo de jovens das Mercês subiram até o alto pelas escadas laterais. Ai, Ai, sem segurança e com escada pouco preservada pela ferrugem. A juventude explica. 
Atualmente os degraus iniciais foram arrancados justamente para evitar outros aventureiros.
Para nós é uma estrutura extremamente elegante que parte de uma base estreita e ainda tem espaço para detalhes e adornos. Que pedreiros fariam uma estrutura dessas na atualidade? Esta percepção nos faz valorizar o passado.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

UM GATO NO TELHADO





Durante um dia frio, um personagem numa postura estranha e num lugar incomum. Talvez para ele estivesse confortável ou foi o único lugar que encontrou para se livrar da gélida garoa em pleno verão. 


domingo, 20 de janeiro de 2013

A RUA MAIS BONITA DO MUNDO

Antes que pense em uma competição cheia de critérios para eleger as ruas mais bonitas, é antes de tudo um movimento para a valorização do seu próprio ambiente.
Circulando pela internet, de repente entrei num site com o título "Is this the most beautiful street in the world?". Este aqui. Logo abaixo tinha uma foto de rua com muitas árvores. Imediatamente associei com várias ruas em Curitiba de mesmo aspecto e procurei qual das ruas que eram e se eu conhecia. Puxa! Que estranho, estrangeiros considerarem nossas ruas as mais bonitas do mundo? Surpresa! Era sim uma rua de Porto Alegre. E o cara que escreveu a matéria referia-se a ela pelo fato de ocorrer no meio de um monte de prédios e sobre a mobilização dos moradores contra o corte de algumas delas quando houve a construção de um estacionamento. De tão organizados os moradores não só conseguiram impedir o corte, como abriram um site para divulgar o movimento. Este aqui.
Efetivamente, a rua é muito bonita. E o mais surpreendente é o contraste provocado pelas árvores espremidas entre os prédios e formando um túnel verde. 
Antes já havia lido no site "Circulando por Curitiba", do Takeuchi, essa mesma percepção das ruas verdes. Entretanto, ele belamente denominou como a "A Onda Verde".Este aqui.



Seguindo este movimento, coloco as fotos de uma das várias ruas mais bonitas do mundo. As fotos são da rua Padre Agostinho e continua pela Travessa Teixeira de Freitas, bem junto da (antiga) telepar. O que provoca este efeito de parecer que as árvores são cheias de dedos retorcidos negros carregados de pendentes verdes que se tocam uns aos outros é devido a Tipuana (Tipuana tipu). Ela cresce com os galhos mais finos zigue-zagueando sempre para o alto. 




Pena que atualmente as pessoas pensem nelas como obstrutoras do sol, como provocadoras de sujeira e, talvez o maior reflexo de ignorância, achar que as pequenas folhas que crescem nos troncos são de parasitas. 
Para mim, me confortam contra a aridez dos prédios e do asfalto. São ruas transformadas para melhor, porque nos sentimos melhor nelas.
Em breve, buscaremos mais "ruas bonitas". Qual é a sua "rua mais bonita do mundo"?



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O PRIMEIRO POST!

PEQUENOS DETALHES, HISTÓRIAS INTERESSANTES

O começo de tudo é emblemático. De um ponto surge uma frase. 
Para iniciar, vamos ver um detalhe insignificante, mas que nos revela como se vivia o cotidiano, o simples, aquilo que todos se esquecem facilmente. E para não esquecer, temos de cultivar a memória, reparar no óbvio, no insignificante, no corriqueiro, no que passa despercebido, naquilo que para muitos é, se for notado,  estragado, superado, obsoleto, ultrapassado, inútil, imperfeito e, no final, deve ser destruído, dispensado. 

Andando pela rua Saldanha Marinho,quase no restaurante Clorofila, em Curitiba, eu e Maria, que escrevemos neste blog, notamos uma caixa de correio muito distinta das que sempre vimos por aí. Reparem que ela possui três portinhas: a clássica para as cartas, mas tem mais duas, para o leite e para o pão. E o mais interessante praticamente no centro de Curitiba.




Trata-se da lembrança de uma época em que o pão era entregue em casa assim como o leite. Numa época em que havia a figura do padeiro e do leiteiro. E essas pessoas passavam de casa em casa anunciando  seu produto com a freguesia certa pois as pessoas se conheciam, se cumprimentavam, trocavam conversa. Geralmente, percorriam o bairro e isso podia levar uma manhã inteira. 
Imagino que para esta casa, na época em que essa atividade ocorria, isto seria uma praticidade, deixar o pão e o leite acondicionados. 
Entretanto, há outro detalhe que pode passar despercebido. Quem abria a porta para colocar o leite e o pão tinha a chave. E isto significava confiar ao padeiro e leiteiro a chave de algo que era próprio. Havia muita confiança na relação. E quase sempre o pagamento era numa data estabelecida há muito tempo.
Atualmente, compro leite no supermercado num amontoado de caixas de papelão. E o pão, dependendo do dia, mudo de padaria de acordo com o trajeto que faço. Não conheço mais quem produz o leite, nem o padeiro que fez o pão. Outros tempos.