sábado, 1 de junho de 2013

ADORNOS RESIDENCIAIS

É importante comentar sobre a arquitetura das casas, os movimentos estilísticos e tudo o que envolve o universo estético da casa. Para os leigos, como nós,  achamos interessante outras coisas que para o profissional é preocupação descabida. Mas há alguns detalhes que aparentemente são inúteis do ponto de vista estrutural, funcional ou o que for. 

É no efêmero que, muitas vezes, há a liberdade para a expressão porque não se limita às forças físicas da estrutura. Ou mesmo porque se utiliza em função dos modismos e "necessidades" do momento. Pelo desejo de parecer diferente, de se distinguir a casa das outras, aparecem as bases em como os desenhos e padrões foram realizados.

Dificilmente algum desses adornos foi instalado sem o consentimento dos don@s da casa e, por conseguinte, torna-se uma expressão deles relacionado a casa.





Estes adornos de fachada, geralmente, apresentam padrões que denominamos: lanças (setas) e gavinhas (quando são recurvados). Estão dispostos em vários pontos da casa e é difícil fotografá-los . Feitos em ferro, as cores são as mesmas da parede, dificultando o destaque. Parece-nos que as ferrugens ajudam, mas não muito, e a luz do sol no final da tarde projetando a sombra contribuem para destacar. 

ERA UMA VEZ... a residência Joaquim Franco

Em Janeiro de 2013 compramos o livro Espirais de Madeira, de Irã Taborda Dudeque, e fomos conferir a residência Joaquim Franco, já que era próximo. Fomos até o endereço indicado e não achamos nada porque não tinhamos levado anotações. Ficamos confusos, voltamos nas semanas seguintes, passamos várias vezes na rua e nada. Efetivamente ela tinha sido demolida.

- Mas como? Uma casa emblemática, como se pode demolir um bem desse nível de elaboração?



Pesquisando mais na internet temos a seguinte história: 

Numa reportagem da gazeta do povo de 22/07/2007 (aqui) sobre a demolição da casa, conta-se que apesar do esforço da catalogação de 600 imóveis modernistas em Curitiba, 150 foram catalogados e apenas 29 se tornaram UIPs.

Pelo jeito, inicialmente todo o trabalho parecia ser frutífero e no final não passou de marola na mão da máquina pública. O esforço todo do pessoal comprometido virou arquivo nas mãos de outros.  



Deixarei o relato do próprio autor da casa, nada mais nada menos que Elgson Ribeiro Gomes (extraído da Folha de Londrina, Centro Paranaense de Cultura, em 28/08/2007). (aqui)

‘Se fosse uma obra do Oscar Niemeyer seria automaticamente tombada, porque ele conquistou notoriedade. Mas como era uma casinha velha, de um arquiteto daqui mesmo, não tinha tanta importância’

‘Eu tinha 29 anos quando projetei a casa, inspirada na Vila Savoia, em Paris, de Le Corbusier. Foi o primeiro e mais puro exemplo dessa escola modernista no Brasil, inclusive, anterior a Brasília, que é de 1956'.

‘Projetei uma casa, cujo proprietário foi fiel a toda estrutura proposta. Lá morou uma família feliz. Mas depois de muitos anos, ela ficou abandonada, sendo depredada por moradores de rua. A família preferiu vender e o novo proprietário a derrubou’.

‘Num primeiro instante, achei que fosse um trote. Mas logo constatei o fato. Fiquei muito chateado, lógico. É como se perdesse um filho, chorei durante uma semana aquela perda. Essa não foi a única assassinada. É só lembrar, por exemplo, as casas que foram derrubadas do Lolô Cornelsen e do Vila-Nova Artigas aqui em Curitiba.’ 

'Se não existe incentivo para proteção do patrimônio, os prejuízos financeiros falam mais alto. A política municipal de proteção do patrimônio anda muito devagarinho, e deu margem para essas demolições. Há uma letargia.’


Pelo que entendemos o novo proprietário foi multado e tudo está na justiça. Elgson, para não esquecer a casa, faria uma maquete de acordo com a reportagem. 



Interessante notar que não há qualquer imagem da casa na internet. Como podemos saber sobre as coisas sem imagens?! No terreno resta a magnífica Tipuana. Da maquete não sabemos, esperamos que tenha sido feita. O problema da preservação é crônico e continua.

Sobre as demolições, parece-nos que aparentam nossas ações para  com as cobras e tubarões; se nos ameaça: Mata!

A casa ficava na rua David Carneiro esquina com Marcos Moro.

sábado, 25 de maio de 2013

ERA UMA VEZ... uma casa de Lolô Cornelsen

De novo um complexo de sentimentos de indignação, perda, inconformidade e de absurdidade (sim, essa palavra existe) pelas coisas serem consideradas efêmeras, o valor implícito delas já não mais existe, não importa. 

Acabamos de chegar e tivemos que bater esta foto passando vagarosamente e com a típica impaciência dos outros em perder segundos nos seus pijamas de lata. 

Foi-se a casa, mais uma dentre tantas, projetada por Lolô Cornelsen. Da concepção avançada, da inspiração em constituir um átrio a partir da experiência da Guerra, tudo virou escombros e têm-se somente isto em palavras, não mais materializadas.





Para maiores detalhes e mais fotos espetaculares da casa conferir
o site "Circulando por Curitiba"(aqui) e também consultar o livro "Espirais de Madeira" de Irã Taborda Dudeque. No portal do próprio Lolô Cornelsen há plantas e referências artísticas à casa, como os mosaicos que lá uma vez estiveram (clique aqui).


Se não me engano, de acordo com o livro, era uma das primeiras experiências de Lolô, ainda amadurecendo seu "fazer arquitetônico". Deixaram a figueira, apenas. Talvez por acharem bonita para constrastar com a aridez do prédio que virá em seguida. Ou quem sabe a motosserra engasgou no dia.

A casa era assim (imagem retirada do google maps).



Ficava na Rua José de Alencar entre as ruas Fernando Amaro e Reinaldino S. de Quadros.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

ERA UMA VEZ... uma curitibana germânica 01

Não era muito frequente passarmos pela Iguaçu, mas, como uma velha conhecida, ela sempre estava por lá, distinta das demais. A grande área em que estava e  rodeada de velhos ciprestes trazia ainda mais o clima temperado de outras latitudes. 
Num dia inesperado, estava cercada e condenada e... foi-se. 


Essa casa sempre nos pareceu muito simpática. As proporções entre   os volumes muito harmoniosa, estes pequenos blocos de pedra espalhados  na fachada, o muro  com telhinhas e gradil diferenciado, além de toda história que deveria conter fazem sentir o ar nostálgico.

O mais interessante seria ter informações completas da casa como plantas, arquiteto, concepções, móveis que continha, genealogia da família, tudo isto dá contexto ao imóvel e foge-se de um discurso exclusivamente estético e catalográfico. Mas é um tipo de trabalho que envolve grande quantidade de tempo, preparação e antecipação e desejo dos envolvidos de que tudo isto fique documentado. Na provinciana Curitiba é muito improvável.

Numa época de construções pasteurizadas, homogenizadas, preferimos o ar nostálgico de construções com um passado mesmo que sem muita significação arquitetônica para os especialistas. Basicamente porque simplesmente elas nos comovem. 
   

quinta-feira, 16 de maio de 2013

ERA UMA VEZ... UMA CASA, PESSOAS, HISTÓRIAS... ENFIM, MEMÓRIAS

Em Curitiba, o ritmo alucinante da especulação imobiliária continua dizimando casas emblemáticas e as mais simples, inclusive. Sepultam junto com a identidade de um lugar, as histórias e memórias coletivas e individuais. 

Em nome do chamado progresso, camufla-se as intenções de lucro fácil, descaso com qualquer elemento do passado e desrespeito com  as pessoas que já se foram e com o que nos relegaram. Uma cultura não existe sem memória, e para preservá-la precisamos destes testemunhos. E nos extentores de sua agonia, as casas podem nos contar histórias, mesmo que seja seu lamentável último suspiro.

Este é o título dos registros que estamos documentando das casas  sendo demolidas quando conseguimos registrar. Porque é sempre uma surpresa, de repente, se foram, num piscar de olhos.


Essa foto é de uma casa de influência germânica na Av. Iguaçu, entre a Bento Viana e a Alferes Ângelo Sampaio. Mostra-a alguns dias antes de ser demolida totalmente, provavelmente para ser substituída por essas bizarrices prediais. Lá se vão jardins, árvores e aquilo que fundamentou um dia denominar Curitiba de "capital ecológica". Voltaremos a falar dessa casa por causa de suas características peculiares.
Sentimo-nos péssimos toda a vez que detectamos mais uma dessas demolições, e nem somos arquitetos e nem profissionais da área. Prova de que a sensibilidade pelas casas é transcultural. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Uma idosa carregando outra

Estava dirigindo e não resisti, bati a foto. Uma camionete restaurada carregando uma  bomba de gasolina também. Aprecio pessoas que zelam e gostam das "velharias". 


Parece que voltei no tempo ou de que estou em outro país, porque nem um dos dois é típico daqui. Mas, atualmente, o que é típico por aqui?

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sim, há uma diferença.


Este é o slogan de uma das logomarcas mais emblemáticas, pelo menos para nós. Completamente inusitada a presença das crianças numa das atitudes mais naturais. Atualmente, a maioria das logomarcas é cheia de simbolismos e abstracionismos que pouco comunicam, com poucas exceções. Não sabemos se o consórcio ainda mantém este logo, mas acreditamos que por manterem a placa, continua ativa. A placa situa-se na rua Conselheiro Carrão, quase esquina com a Schiller.