Em Janeiro de 2013 compramos o livro Espirais de Madeira, de Irã Taborda Dudeque, e fomos conferir a residência Joaquim Franco, já que era próximo. Fomos até o endereço indicado e não achamos nada porque não tinhamos levado anotações. Ficamos confusos, voltamos nas semanas seguintes, passamos várias vezes na rua e nada. Efetivamente ela tinha sido demolida.
- Mas como? Uma casa emblemática, como se pode demolir um bem desse nível de elaboração?
Pesquisando mais na internet temos a seguinte história:
Numa reportagem da gazeta do povo de 22/07/2007 (aqui) sobre a demolição da casa, conta-se que apesar do esforço da catalogação de 600 imóveis modernistas em Curitiba, 150 foram catalogados e apenas 29 se tornaram UIPs.
Pelo jeito, inicialmente todo o trabalho parecia ser frutífero e no final não passou de marola na mão da máquina pública. O esforço todo do pessoal comprometido virou arquivo nas mãos de outros.
Deixarei o relato do próprio autor da casa, nada mais nada menos que Elgson Ribeiro Gomes (extraído da Folha de Londrina, Centro Paranaense de Cultura, em 28/08/2007). (aqui)
‘Num primeiro instante, achei que fosse um trote. Mas logo constatei o fato. Fiquei muito chateado, lógico. É como se perdesse um filho, chorei durante uma semana aquela perda. Essa não foi a única assassinada. É só lembrar, por exemplo, as casas que foram derrubadas do Lolô Cornelsen e do Vila-Nova Artigas aqui em Curitiba.’
'Se não existe incentivo para proteção do patrimônio, os prejuízos financeiros falam mais alto. A política municipal de proteção do patrimônio anda muito devagarinho, e deu margem para essas demolições. Há uma letargia.’
Pelo que entendemos o novo proprietário foi multado e tudo está na justiça. Elgson, para não esquecer a casa, faria uma maquete de acordo com a reportagem.
Interessante notar que não há qualquer imagem da casa na internet. Como podemos saber sobre as coisas sem imagens?! No terreno resta a magnífica Tipuana. Da maquete não sabemos, esperamos que tenha sido feita. O problema da preservação é crônico e continua.
Sobre as demolições, parece-nos que aparentam nossas ações para com as cobras e tubarões; se nos ameaça: Mata!
A casa ficava na rua David Carneiro esquina com Marcos Moro.
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