sábado, 1 de junho de 2013

ERA UMA VEZ... a residência Joaquim Franco

Em Janeiro de 2013 compramos o livro Espirais de Madeira, de Irã Taborda Dudeque, e fomos conferir a residência Joaquim Franco, já que era próximo. Fomos até o endereço indicado e não achamos nada porque não tinhamos levado anotações. Ficamos confusos, voltamos nas semanas seguintes, passamos várias vezes na rua e nada. Efetivamente ela tinha sido demolida.

- Mas como? Uma casa emblemática, como se pode demolir um bem desse nível de elaboração?



Pesquisando mais na internet temos a seguinte história: 

Numa reportagem da gazeta do povo de 22/07/2007 (aqui) sobre a demolição da casa, conta-se que apesar do esforço da catalogação de 600 imóveis modernistas em Curitiba, 150 foram catalogados e apenas 29 se tornaram UIPs.

Pelo jeito, inicialmente todo o trabalho parecia ser frutífero e no final não passou de marola na mão da máquina pública. O esforço todo do pessoal comprometido virou arquivo nas mãos de outros.  



Deixarei o relato do próprio autor da casa, nada mais nada menos que Elgson Ribeiro Gomes (extraído da Folha de Londrina, Centro Paranaense de Cultura, em 28/08/2007). (aqui)

‘Se fosse uma obra do Oscar Niemeyer seria automaticamente tombada, porque ele conquistou notoriedade. Mas como era uma casinha velha, de um arquiteto daqui mesmo, não tinha tanta importância’

‘Eu tinha 29 anos quando projetei a casa, inspirada na Vila Savoia, em Paris, de Le Corbusier. Foi o primeiro e mais puro exemplo dessa escola modernista no Brasil, inclusive, anterior a Brasília, que é de 1956'.

‘Projetei uma casa, cujo proprietário foi fiel a toda estrutura proposta. Lá morou uma família feliz. Mas depois de muitos anos, ela ficou abandonada, sendo depredada por moradores de rua. A família preferiu vender e o novo proprietário a derrubou’.

‘Num primeiro instante, achei que fosse um trote. Mas logo constatei o fato. Fiquei muito chateado, lógico. É como se perdesse um filho, chorei durante uma semana aquela perda. Essa não foi a única assassinada. É só lembrar, por exemplo, as casas que foram derrubadas do Lolô Cornelsen e do Vila-Nova Artigas aqui em Curitiba.’ 

'Se não existe incentivo para proteção do patrimônio, os prejuízos financeiros falam mais alto. A política municipal de proteção do patrimônio anda muito devagarinho, e deu margem para essas demolições. Há uma letargia.’


Pelo que entendemos o novo proprietário foi multado e tudo está na justiça. Elgson, para não esquecer a casa, faria uma maquete de acordo com a reportagem. 



Interessante notar que não há qualquer imagem da casa na internet. Como podemos saber sobre as coisas sem imagens?! No terreno resta a magnífica Tipuana. Da maquete não sabemos, esperamos que tenha sido feita. O problema da preservação é crônico e continua.

Sobre as demolições, parece-nos que aparentam nossas ações para  com as cobras e tubarões; se nos ameaça: Mata!

A casa ficava na rua David Carneiro esquina com Marcos Moro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário