PEQUENOS DETALHES, HISTÓRIAS INTERESSANTES
O começo de tudo é emblemático. De um ponto surge uma frase.
Para iniciar, vamos ver um detalhe insignificante, mas que nos revela como se vivia o cotidiano, o simples, aquilo que todos se esquecem facilmente. E para não esquecer, temos de cultivar a memória, reparar no óbvio, no insignificante, no corriqueiro, no que passa despercebido, naquilo que para muitos é, se for notado, estragado, superado, obsoleto, ultrapassado, inútil, imperfeito e, no final, deve ser destruído, dispensado.
Andando pela rua Saldanha Marinho,quase no restaurante Clorofila, em Curitiba, eu e Maria, que escrevemos neste blog, notamos uma caixa de correio muito distinta das que sempre vimos por aí. Reparem que ela possui três portinhas: a clássica para as cartas, mas tem mais duas, para o leite e para o pão. E o mais interessante praticamente no centro de Curitiba.
Trata-se da lembrança de uma época em que o pão era entregue em casa assim como o leite. Numa época em que havia a figura do padeiro e do leiteiro. E essas pessoas passavam de casa em casa anunciando seu produto com a freguesia certa pois as pessoas se conheciam, se cumprimentavam, trocavam conversa. Geralmente, percorriam o bairro e isso podia levar uma manhã inteira.
Imagino que para esta casa, na época em que essa atividade ocorria, isto seria uma praticidade, deixar o pão e o leite acondicionados.
Entretanto, há outro detalhe que pode passar despercebido. Quem abria a porta para colocar o leite e o pão tinha a chave. E isto significava confiar ao padeiro e leiteiro a chave de algo que era próprio. Havia muita confiança na relação. E quase sempre o pagamento era numa data estabelecida há muito tempo.
Atualmente, compro leite no supermercado num amontoado de caixas de papelão. E o pão, dependendo do dia, mudo de padaria de acordo com o trajeto que faço. Não conheço mais quem produz o leite, nem o padeiro que fez o pão. Outros tempos.
Grande começo! São detalhes desse tipo que contam a história de uma cidade, de um povo! Parabéns e vida longa ao Gato no Telhado! Abraço. Washington
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